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See allNo começo até achei interessante essa vibe de alienação e pressão social, tipo, a sociedade te sufocando pra você se encaixar. Mas depois virou só uma repetição de reclamações de vizinho, alucinações e o cara surtando cada vez mais. Fiquei perdida em várias partes, não entendi direito o que era real e o que era coisa da cabeça dele. O final então… cíclico, estranho, mas não me impactou como eu esperava. Achei mais frustrante do que assustador ou profundo.
Que livro fascinante! O livro não é apenas um relato, é um mergulho profundo e visceral na psique de Anaïs Nin durante um período transformador de sua vida em Paris.
O que mais me impressionou foi a capacidade da autora de colocar no papel, sem filtros, a complexidade das relações humanas, o desejo e a busca pela própria identidade. A dinâmica entre Anaïs, Henry Miller e June é um emaranhado de obsessões e jogos psicológicos que, embora confusos em vários momentos, prendem a atenção do início ao fim.
Um detalhe que me divertiu muito foram as cartas trocadas entre Henry e June. É curioso como, no meio de toda aquela tensão emocional e artística, eles mantinham uma correspondência extremamente engraçada e de cunho sexual, que revela uma intimidade crua e uma forma muito particular de se comunicarem. É um contraponto interessante à intensidade dramática que permeia o restante dos diários.
Gostei muito da forma como o livro explora a dualidade entre a vida que Anaïs levava com o marido, Hugo, e a "segunda vida" que ela construiu com Henry. Confesso que, durante a leitura, senti muita pena do Hugo, marido de Anaïs. Ele aparece como uma figura de tanta devoção e estabilidade em meio ao caos que a Anaïs vivia, que é impossível não se solidarizar com ele. Esse contraste entre o cuidado dele e a vida paralela que a Anaïs buscava traz uma camada extra de humanidade e melancolia para a história.
Saio dessa leitura completamente rendida ao estilo de escrita da Anaïs Nin. Foi uma experiência tão enriquecedora que já estou com planos definidos: quero ler todos os diários dela para continuar acompanhando essa jornada de autodescoberta. Recomendo muito para quem gosta de obras que não têm medo de expor a fragilidade e a força da alma humana
O livro começa com um dos cenários mais absurdos e famosos da literatura: Gregor Samsa acorda transformado em um inseto gigante. Mas o que realmente choca na história não é a bizarrice física da transformação, e sim o que acontece depois com a psicologia dele e de sua família.
O que mais me impressionou foi perceber como a transformação do Gregor funciona como uma metáfora perfeita e cruel sobre o utilitarismo nas relações humanas. Antes de virar um inseto, ele era o único provedor da casa, o pilar financeiro que sustentava os pais e a irmã à custa de um emprego exaustivo que ele odiava. No momento em que ele perde a capacidade de trabalhar e produzir, o amor e a consideração da família desaparecem quase que instantaneamente.
Acompanhar o isolamento do Gregor no quarto, o nojo físico que os pais sentem dele e, principalmente, a evolução da irmã que começa tentando ajudar e termina sendo a pessoa que decreta que eles precisam se livrar dele é de partir o coração. Kafka consegue construir uma atmosfera sufocante, onde a sujeira do quarto e a negligência com o Gregor refletem perfeitamente o abandono emocional que ele sofre. ele sente a dor de perceber que seu valor para as pessoas que ele mais amava dependia exclusivamente do dinheiro que ele trazia para casa.
O final é melancólico, mas incrivelmente realista na forma como a família se recupera rápido demais após a morte dele, como se tivessem finalmente se livrado de um peso morto para poderem, enfim, viver.
Dou nota 4 porque é um livro genial, com uma escrita direta que te prende do início ao fim e provoca reflexões incômodas sobre empatia, família e egoísmo