Levou um certo tempo para eu conseguir entender (ou captar?) a ideia do livro. É (estou resumindo MUITO aqui) uma experimentação que brinca com o conceito do indivíduo em mudança, em transformação no seu tempo (e transformação do próprio tempo). Alguns detalhes passaram batidos para mim; por exemplo, o fato do/da personagem Orlando ser baseada na vida da amante da autora, a Vita Sackville-West, e outros detalhes que provavelmente só descobrirei se pesquisar mais sobre.
Mas acho que recomendável partir para a leitura de Orlando às cegas. Deixar-se levar pelos caminhos, desvios, atalhos e rodeios apresentados na história.
As descrições das condições de trabalho e das dificuldades enfrentadas pelas família deslocadas pelo grande depressão americana me fizeram ter que parar de vez em quando para digerir o que eu tinha acabado de ler.
A profundidade dos personagens me chamou bastante a atenção. O livro consegue revelar as personalidades dos membros da família Joad sem precisar explicar constantemente os pensamentos deles. Em alguns momentos, é possível identificar cada personagem por suas falas nos diálogos.
1,5 ⭐
usando um balde cheio d'água para derrotar um guerreiro com poderes divinos e outras histórias
Premissa interessante com, tirando algumas partes, uma péssima execução.
Ouvi alguns comentários da autora falando que este livro não é uma obra “YA” mas, apesar de abordar temas pesados e desconcertantes; a caracterização dos personagens, toda a primeira parte da obra, a construção do mundo e a escrita de Kuang me parecem muito com uma fantasia padrão para jovens adultos.
O principal motivo de eu não ter gostado do livro é a forma “didática” em que sua narrativa é conduzida. As cenas, os atos dos personagens e suas consequências são sempre explicados por Kuang, que raramente se permite apenas desenhar os eventos e deixar o leitor ligar os pontos por conta própria. Como resultado, muito da escrita dela se mostra insípida, quase como ler um manual de instruções.
A história de Guerra da Papoula é fortemente inspirada no Massacre de Nanquim e em elementos da história das guerras sino-japonesas. Os eventos do livro constantemente são extremamente similares a episódios desses momentos históricos. Essa premissa tem um potencial interessante e a escolha de Kuang de trazer a esses eventos deve ser prestigiada. No entanto, a caracterização do universo retratado pela autora por vezes é vago demais, parecendo ser forçado para se encaixar nos eventos que ela deseja retratar. Por exemplo: o contexto do universo parece ser algo inspirado no medievo e épocas mais antigas da china imperial mas, em um esforço para representar os eventos da segunda guerra sino-japonesa, os antagonistas (que lutam com lanças, espadas e flechas) são retratados usando gás mostarda.
O mesmo se aplica a muitos personagens, cujas caracterizações soam vagas e parecem agir só para mover a trama numa direção conveniente para o enredo. A protagonista, por exemplo, é definida como extremamente determinada e audaz na primeira parte do livro, mas essa personalidade se perde no restante da trama e ela passa a sofrer com mudanças de personalidade para coincidir com o que é exigido da história.
Provavelmente não lerei o resto da trilogia, mas talvez eu dê uma chance para outros livros da autora.
eu não imaginava que esse livro ia dialogar com tantas camadas e questionamentos meus
não tem como eu expressar em palavras a qualidade da escrita de clarice, a forma que ela utiliza metáfora e figuras de linguagens para atingir tantos temas da vida humana
(in)felizmente, esse é um livro que mesmo após a leitura já me consegue me convidar outra vez pra revisita-lo em um futuro relativamente próximo
A impressão que eu tive é que esse livro mostra um pouco de tudo que o King tem a oferecer: do melhor ao pior.
O melhor: uma ambientação vívida, personagens singulares e uma escrita fluida e “magnética”.
O pior: diversos trechos que pedem (imploram, talvez) por um editor com a mão mais firme, bizarrices que quebram um pouco a sua imersão na obra...
3 doguinhos de 5
acabou sendo mais um da série Premissas Interessantes com Resultados Insatisfatórios
Ao ler a sinopse deste livro acabei criando expectativas de que seria uma ficção literária que me marcaria por um bom tempo. Mas acho que escolhi o livro errado para conhecer o porquê de Ian ser bastante reconhecido.
Senti que as discussões que o autor trouxe em relação ao tema central da obra soam bastante rasas ou até mesmo subdesenvolvidas (as vezes, ficam até em segundo plano, como se ele mesmo não soubesse o foco que quer trabalhar).
Tem um certo ponto-chave na história que acaba justificando o começo das desavenças entre o casal e sua posterior separação. Esse evento é tratado com ar de mistério por 80% do livro; e quando por fim é revelado o que aconteceu, a justificativa parece falha ou mal pensada.
Cães Negros traz uma história que poderia ser base para questionamentos complexos e densos sobre a natureza humana e o “mal” presente no interior ou nas estruturas exteriores às pessoas; porém, é um livro cujo seu tema central parece ser mantido em estágio embrionário.
3,5 ⭐
um livro de ficção histórica medieval “épica” em que o protagonista claramente é o empenho do autor em mostrar toda a pesquisa que ele fez para escrever essa obra
* o que esse livro traz de mais interessante é a experiência da época em que a história ocorre. Follett acaba demonstrando as forças sociais e políticas daquele tempo e de que forma elas alteravam o cenário urbano da Inglaterra medieval;
* os personagens são bem rasos (e carregam pensamentos que para mim soam meio anacrônicos para a época), sendo possível observar que eles são utilizados como meras ferramentas narrativas para que o leitor acompanhe os eventos citados no meu ponto anterior;
* algumas coisas da escrita do Ken Follett parecem questionáveis. Não, sério, a fixação dele por seios e a forma que ele descreve isso ao longo de VÁRIOS momentos do livro soa como um adolescente de 14~15 anos fascinado por descobrir esse tipo de assunto. Atenção para um momento do final do livro em que Follett dedica quase um parágrafo para escrever algo que só posso descrever como uma linha temporal das mudanças anatômicas do par de seio de uma das protagonistas (sim, isso está no livro)
* outra coisa notável (não em um bom sentido) é que a narrativa é bastante formulaica, o que fica bem evidente nos aprox. 30% do livro. Com os personagens principais sofrendo um padrão de vitórias e derrotas que fica bem cansativo para quem não foi fisgado pelo tema central de Os Pilares da Terra
da série: livros focados para o público jovem que com certeza ficarão datados em menos de uma década
sério, quanta referência a assuntos pop “recentes”
no mais, engraçadinho (apesar de tentar demais nesse sentido e ficar por vezes quase que insuportável). Me passa muito a impressão de filme-animação qualidade B/B+ da Disney. Daqueles que entretém enquanto você assiste e tenta trazer uma mensagem “profunda” na tentativa de acrescentar “peso” ao conjunto, mas que acaba sendo só raso mesmo.
Mas, hey!, não faz mal. Afinal, ser algo cheio de camadas não é o foco do livro
Interessante pra: aqueles que querem uma história bonitinha/fofinha/engraçadinha cheia de referências gay-pop-culture
Só conheci essa escritora por conta da divulgação no r/Brasil e me foi uma grata surpresa.
Ao narrar uma história de um crime que teria (boa parte do que foi narrado parece ter sido criações da própria autora) acontecido na capital de RS na época da redemocratização, a autora conseguiu traçar paralelos com problemas atuais do Brasil. E conseguiu fazer isso mantendo sempre a atenção do leitor. A única coisa que me irritou foi que nos trechos em que o crime é abordado a Carol aparenta perder uma boa parte da sua “finesse”; o texto fica mais expositivo, seco e sem a graça que apresenta em outros trechos.
Bela prosa, onde você está? certamente não neste livro
Olha, terminar esse livro foi quase um trabalho árduo. Não bastasse uma história focada nos quatro personagens mais desinteressantes que já vi em um bom tempo (sério, se eu tivesse que ler mais uma passagem da Alice bolada e sentindo-se mal por ser rica, eu iria jogar meu kindle pela janela), a prosa da Sally Rooney torna tudo ainda mais sofrível.
A escrita dela torna todo texto meio apático com o foco quase que total em narrar de forma dissociada o que acontece. Mergulhos nos pensamentos dos personagens são quase inexistentes.
Na capítulo do casamento há uma melhorada na prosa e o ritmo da história dá uma acelerada. Mas ainda assim, não é suficiente para salvar um livro entendiante, levemente pedante e desinteressante.
Não sei se entendi o que exatamente conquistou o público em relação a esse livro
Eu imagino que seja o tema do livro ou o jeito “fofinho” do relacionamento dos protagonistas que fazem os leitores se identificarem por almejar algo assim
Da minha parte me incomodou que o personagem do Graham acaba sendo "perfeitinho" demais forçando o desenvolvimento de personagem apenas pra Quinn e o livro segue o modelo de "história de romance cujo o conflito é estabelecido pela falta de diálogo" o que eu acho um modelo de narrativa meio pobre
Eu fiquei entre dar uma nota 3 e 4 pra esse livro. Por quê? É um livro bem fofinho e, de fato, bem agradável de se ler. Por isso, e pelas mensagens meio Feel Good (que achei bem legais) trazidas na obra, eu daria umas 4 estrelas.
Só que livros “felizinhos” demais não são exatamente minha praia. Gosto de ter mais drama, de não saber quem é que está certo na história, enfim, gosto de situações complicadas. Aí que surge a nota 3 que pensei em dar.
Mas acho que dar uma nota 3 seria algo mais inerente a minha pessoa do que às qualidades da obra em si.
Então, 4 estrelas.
E sim, acho que tentarei ler algo mais do Vitor Martins no futuro.