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See all1,5 ⭐
usando um balde cheio d'água para derrotar um guerreiro com poderes divinos e outras histórias
Premissa interessante com, tirando algumas partes, uma péssima execução.
Ouvi alguns comentários da autora falando que este livro não é uma obra “YA” mas, apesar de abordar temas pesados e desconcertantes; a caracterização dos personagens, toda a primeira parte da obra, a construção do mundo e a escrita de Kuang me parecem muito com uma fantasia padrão para jovens adultos.
O principal motivo de eu não ter gostado do livro é a forma “didática” em que sua narrativa é conduzida. As cenas, os atos dos personagens e suas consequências são sempre explicados por Kuang, que raramente se permite apenas desenhar os eventos e deixar o leitor ligar os pontos por conta própria. Como resultado, muito da escrita dela se mostra insípida, quase como ler um manual de instruções.
A história de Guerra da Papoula é fortemente inspirada no Massacre de Nanquim e em elementos da história das guerras sino-japonesas. Os eventos do livro constantemente são extremamente similares a episódios desses momentos históricos. Essa premissa tem um potencial interessante e a escolha de Kuang de trazer a esses eventos deve ser prestigiada. No entanto, a caracterização do universo retratado pela autora por vezes é vago demais, parecendo ser forçado para se encaixar nos eventos que ela deseja retratar. Por exemplo: o contexto do universo parece ser algo inspirado no medievo e épocas mais antigas da china imperial mas, em um esforço para representar os eventos da segunda guerra sino-japonesa, os antagonistas (que lutam com lanças, espadas e flechas) são retratados usando gás mostarda.
O mesmo se aplica a muitos personagens, cujas caracterizações soam vagas e parecem agir só para mover a trama numa direção conveniente para o enredo. A protagonista, por exemplo, é definida como extremamente determinada e audaz na primeira parte do livro, mas essa personalidade se perde no restante da trama e ela passa a sofrer com mudanças de personalidade para coincidir com o que é exigido da história.
Provavelmente não lerei o resto da trilogia, mas talvez eu dê uma chance para outros livros da autora.
Levou um certo tempo para eu conseguir entender (ou captar?) a ideia do livro. É (estou resumindo MUITO aqui) uma experimentação que brinca com o conceito do indivíduo em mudança, em transformação no seu tempo (e transformação do próprio tempo). Alguns detalhes passaram batidos para mim; por exemplo, o fato do/da personagem Orlando ser baseada na vida da amante da autora, a Vita Sackville-West, e outros detalhes que provavelmente só descobrirei se pesquisar mais sobre.
Mas acho que recomendável partir para a leitura de Orlando às cegas. Deixar-se levar pelos caminhos, desvios, atalhos e rodeios apresentados na história.