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See allResenha do blog Sincerando.com, escrita por Sarah Sindorf
Aos 4 anos, Shin Dong-hyuk lembra de ter visto uma execução pública. Essa foi só uma prévia do que viria a ser uma coisa normal. Filho de prisioneiros do campo 14, nascido e criado lá, Shin não tem acesso à educação, saúde ou condições adequadas de moradia. O que ele tem de sobra é fome, frio e abusos físicos e psicológicos. Criado para não confiar em ninguém, delatar qualquer um e pagar pelo pecado de seus ancestrais, Shin leva uma vida que, para nós, é inimaginável.
Sua rotina quando criança era: passar o fome o dia todo, comendo porções irrisórias de repolho cozinho e milho, e quando chegou a uma certa idade, ir para a escola. Mas escola aqui quer dizer um centro onde as crianças são educadas com as 10 regras do campo, e onde devem aprender a sempre obedecer aos professores e guardas, podendo morrer se não o fizerem.
As crianças já ajudam em algumas coisas no trabalho do campo, mas no começo da adolescência é que o mais pesado começa, levando até a privação de comida e surras se metas não forem atingidas. Doze a quinze horas de trabalho forçado em minas de carvão, fábricas e fazendas é o que conhecem como vida. Mas em algum momento isso muda, e tudo o que Shin pensa que sabe, se transforma.
Conseguindo o que era dado como impossível, Shin foge do campo onde nenhum outro homem (que se tenha conhecimento) fugiu, mas até hoje carrega as marcas físicas e mentais dos horrores que sofreu lá dentro. O livro carrega essas marcas e nos faz revelações tenebrosas de seu passado. Muitos trechos me fizeram refletir até que ponto a humanidade de uma pessoa pode existir em certas circunstâncias, e o quão baixo (para os nossos parâmetros) um ser humano pode chegar para sobreviver.
O livro é escrito por Blaine Harden, um jornalista que conduziu várias entrevistas com Shin e outras testemunhas do campos, ex-guardas, ex-moradores da Coréia, presos de outros campos com uma segurança menor, que foram soltos e conseguiram fugir da Coréia do Norte, apurando vários detalhes que ele deu sobre sua vida. Alguns desses depoimentos externos são citados no livro, assim como livros que o autor consultou e estão relacionados nas notas no final.
Fico muito triste por saber que existem esses campos na atualidade, e que essas pessoas são forçadas a passar por isso e considerar isso uma vida normal. O pior é que, segundo o livro, não é só o povo dos campos que sofre, mas a população da Coréia do Norte inteira passa fome e sofre para sobreviver. Mesmo Shin, que conseguiu se livrar disso tudo, em alguns aspectos não consegue levar uma vida normal. Me pergunto se as mudanças que sofreu poderiam algum dia ser revertidas e preciso ter a esperança que sim.
Para maiores informações, visitem essa página da Intrínseca (http://www.intrinseca.com.br/site/2013/03/documentario-sobre-o-campo-14-recebe-premio-do-forum-de-direitos-humanos-em-genebra/), que contém detalhes sobre um documentário filmado sobre a vida de Shin (que não assisti ainda), as dez leis do campo e mais algumas coisas relacionadas à sua vida.
Link: http://www.sincerando.com/2014/05/fuga-do-campo-14.html
Resenha no blog Sincerando.com, escrita por Sarah Sindorf
Audrey é uma adolescente que passou por um grande trauma e sofre de ansiedade e depressão (eu li em inglês, que era “Social Anxiety Disorders, General Anxiety Disorder and Depressive Episodes”). Ela mora com seus pais e seus dois irmãos, e não sai de casa há meses. Tentando voltar à sua rotina normal e à escola, ela acompanha o dia-a-dia da família, lê e assiste televisão.
Um dia, seu irmão mais velho traz um amigo do colégio, Linus, e Audrey acaba se isolando em mais um episódio de ansiedade, pois ela tem muita dificuldade de interagir com as pessoas à sua volta, principalmente as de fora da família. Ela passa o dia inteiro usando óculos escuros e se refugia em lugares com pouca luminosidade. Envolvida em uma briga familiar sobre jogos de computadores, ela se torna uma das razões para Linus parar de frequentar à casa. Incomodada por não poder fazer contato com o menino e a pedido do irmão, ela começa lentamente a ter mais contato com ele e se abrir para novas amizades e talvez um novo amor.
Queria ler esse livro há muito tempo, e foi na viagem para os EUA que eu finalmente comprei um volume hardcover. Acompanhamos a história de Audrey (e sua nada convencional família) e o seu crescimento durante o livro, e apesar de tratar de alguns temas bem sérios (bullying, ansiedade, depressão), e consegui me divertir muito em vários trechos.
A família de Audrey é bem diferente do normal. Seu pai, muito apaixonado pela mãe, acaba cedendo em muitas coisas e não se impondo muito, além de estar sempre distraído. Sua mãe virou dona de casa depois do problema pelo qual Audrey passou, e acaba ficando um tanto neurótica com as publicações de seu jornal favorito, o que acaba perturbando a vida da família. Seu irmão mais velho é focado em videogames e gostaria de futuramente viver disso e seu irmão mais novo de 5 anos é adorável.
Audrey não fala com detalhes do que aconteceu no passado, mas temos várias dicas no livro e podemos perceber que houve um caso de bullying na escola que a afetou profundamente. Ela perdeu o contato com os colegas do colégio e está esperando melhorar da ansiedade para começar a frequentar uma nova escola.
Fiquei muito feliz com a seriedade e ao mesmo tempo leveza que a autora usou para explorar o tema. Audrey tem contato com uma terapeuta (o que é muito importante pois muitas vezes vemos personagens que declaram sofrer de depressão e até comentam uma vez que vão a um terapeuta, mas isso nunca aparece) que a ajuda a entender o que passou e mudar algumas atitudes que a atrapalham a ter a vida que ela tinha e quer voltar a ter.
Link: http://www.sincerando.com/2015/12/finding-audrey.html
Resenha do blog Sincerando.com, escrita por Sarah Sindorf
“Como a chuva não a deixava dormir, ela se sentou, esfregou os olhos e pegou o livro. As páginas farfalharam cheias de promessas quando ela o abriu. Meggie achava que esses primeiros sussurros soavam de maneira diferente em cada livro, conforme ela soubesse ou não o que ele lhe contaria.”
Ao ler em voz alta, Mo não só encanta quem o ouve, como tem um dom inesperado: ele traz à vida coisas e seres do livro que lê. No aniversário de três anos de sua filha, Meggie, Mo traz alguns convidados inesperados e sua mulher acaba desaparecendo misteriosamente - para dentro do livro.
Com doze anos, Meggie nada sabe sobre isso. Mo é um maravilhoso encadernador e os dois amam ler. O mais estranho que ocorre em suas vidas é que os dois viajam muito, enquanto Mo muda de um serviço a outro. Tudo muda quando um misterioso homem aparece em sua casa e eles tem que partir em uma grande aventura.
O que falar de Coração de Tinta e sua autora? Os dois conquistaram um lugar especial no meu coração. Desde o começo do livro consegui sentir entre Mo e Meggie uma forte ligação e um forte relacionamento de pai e filha. Mo é um encadernador, ele recupera livros antigos que perderam capas, tem espinhas quebradas ou simplesmente precisam de uma nova “roupagem”. Ele é um pai atencioso e carinhoso, que inspira na filha a mesma paixão de ler que tem.
Meggie por sua vez é uma menina de 12 anos que não tem muitos amigos e viaja muito, tanto com o pai quanto nos livros. Já tendo lido diversos livros várias vezes, a menina tem um enorme apego aos amigos de papel e tinta, que só não é maior que o amor que tem pelo pai. Tendo sua mãe sumido misteriosamente, Mo é tudo que ela conhece e tem.
Tudo começa quando Dedo Empoeirado, um conhecido do pai de Meggie aparece na casa deles tarde da noite e dá um estranho aviso: Capricórnio está atrás deles. E assim conhecemos vários outros personagens, alguns encantadores, outros frios no início e amados no final e outros simplesmente abomináveis.
A autora escreve da maneira que ela descreve Mo lendo: apaixonante. Eu conseguia ver as cenas se passando pelos meus olhos como se realmente estivesse lá, sentindo medo por eles, amor, saudade. Fiquei cativa. Os capítulos são pequenos e o enredo tem um desenvolvimento maravilhoso. Apesar de ter 456 páginas, foi uma leitura rápida e que infelizmente acabou.
O desenvolvimento e o final do livro foram coerentes com a história toda e em alguns momentos eu fiquei pensando “olha, a autora esqueceu de falar deste detalhe” só para ver que em algumas páginas a frente a minha dúvida seria respondida.
O trabalho gráfico do livro é maravilhoso, a capa é linda, as folhas são amarelas e cada capítulo contém uma citação de outro livro no começo e uma ilustração no final. Não percebi nenhum erro de revisão ou tradução (mas fiquei tão imersa na história que não tenho certeza se teria percebido se houvesse algum). Espero agora gostar tanto dos outros dois volumes dessa série como gostei deste.
Link: http://www.sincerando.com/2014/04/coracao-de-tinta.html
Resenha do blog Sincerando.com, escrita por Sarah Sindorf
ATENÇÃO: Essa resenha fala sobre o último livro da trilogia “Jogos Vorazes”, então se você não leu os outros dois (Jogos Vorazes e Em Chamas), recomendo que não leia esta resenha, pois terá spoilers.
E aqui estamos, na reta final. A revolução chegou, e não há volta. Katniss escapou novamente dos Jogos Vorazes, mas Peeta ficou para trás, preso na Capital. O Distrito 12 deixou de existir, bombardeado pela Capital, poucas pessoas restaram, e só a Aldeia dos Vitoriosos se encontra de pé. Ela acorda no Distrito 13, antes conhecido como um o distrito destruído, e que acabou sendo que na verdade um distrito que conseguiu fugir das garras da Capital e sobrevivia à duras penas no subterrâneo.
Katniss foi resgatada para ser o Tordo, o rosto e o incentivo para os distritos finalmente se libertarem da Capital e se rebelarem junto ao 13. Entretanto, a coisa não é tão fácil quanto parece. Katniss permanece dividida entre seguir essa função, a preocupação com a vida de todos que ama e a desconfiança perante à presidente Corin, líder dos rebeldes.
Aceitando sua missão, Katniss passa a visitar os distritos e ver a destruição que a revolta causou neles. Milhares de pessoas mortas, doentes, feridas, e uma devastação desoladora. Com sua impulsividade ela consegue o que ninguém consegue num estúdio, a raiva e a força para incentivar a população. Mas muito tem a acontecer ainda. Katniss percebe que mais uma vez está presa numa situação em que nem tudo está sendo contado para ela, e esse sentimento de que está sendo novamente usada a faz repensar muita coisa.
O livro gira em torno de muitos assuntos dolorosos e reflexivos para todos nós. Até que ponto uma guerra, um ataque, é aceitável? Até que ponto pode se fazer uso da força, e o pior de tudo, o que há realmente por trás das causas que lutamos?
O término do livro foi doloroso por muitos mais motivos do que só o término de uma história, e apesar de muitas vezes ter ficado com raiva da passividade e da impulsividade de Katniss, no fundo temos que ver que é somente uma menina, que teve que amadurecer e passar por coisas inimagináveis até a idade apresentada no final, e que sofre muito mais abalos mentais que possamos um dia sofrer.
Deixo aqui um convite não só para a leitura da série, mas também para refletir nas atitudes e no que o livro realmente debate pois, ao meu ver, esse livro só se encaixa num público juvenil para que se possa ter a esperança de um povo com mais humanidade.
“Bem no fundo da campina, embaixo do salgueiro
Um leito de grama, um macio e verde travesseiro
Deite a cabeça e feche esses olhos cansados
E quando eles se abrirem, o sol já estará alto nos prados.
Aqui é seguro, aqui é um abrigo
Aqui as margaridas lhe protegem de todo perigo
Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei
Aqui é o local onde eu sempre lhe amarei.”
Link da resenha: http://www.sincerando.com/2013/03/esperanca.html
Resenha do blog Sincerando.com, escrita por Sarah Sindorf
“Os livros a transportavam para mundos novos e a apresentavam a pessoas diferentes, que viviam vidas incríveis.”
Matilda é uma menininha muito especial. Seus pais e seu irmão são pessoas normais, passam o tempo vendo televisão e não prestam muita atenção a ela, e não percebem que ela consegue ler desde muito nova, mesmo sem ninguém ter ensinado a ela. E Matilda ama ler, e seu sonho é ir para a escola, como seu irmão mais velho. Acaba conseguindo um pouco mais tarde do que o costume, e encontra outros problemas.
A diretora, sra. Taurino, é uma mulher fria e cruel, que não acredita em nada do que Matilda diz, e a considera fingida e mentirosa. É na professora, Srta. Mel, que ela encontra um refúgio. Doce e inteligente, a professora percebe o potencial de Matilda e fica encantada. Mas algumas coisas a mais mudam na vida de Matilda e ela tem uma grande surpresa.
Eu amo Matilda. Amei o filme quando era criança, e ainda assisto de vez em quando, quando me dá vontade. Matilda tem um espaço especial no meu coração. Eu sempre gostei muito de ler, e via Matilda como aquela amiga que gosta muito de ler também, pois não tinha amigos da minha idade que compartilhassem dessa paixão. Claro que não lia como a personagem, o mais perto de clássicos que cheguei na infância foi com uma adaptação de Romeu e Julieta que tinha em casa.
A vida de Matilda pode ser tida como triste, se for ver de um lado. Pais que não lhe dão atenção, não preenchem suas necessidades básicas, e ainda chegam perto dos maus tratos em algumas situações, uma inteligência que é considerada como trapaça. Mas Matilda além de inteligente mostra uma calma e sabedoria além de sua idade. Apesar de não ter uma infância muito comum é na escola que desabrocha como criança, fazendo amigos e brincando.
A escola lhe traz dificuldades, como a diretora, que teima em implicar com a menina, ou os pais reclamando que ela não está mais em casa para receber as encomendas. Matilda tem uma vida muito diferente das outras crianças, e é muito mais cobrada. O livro para mim sempre foi uma grande lição de que por mais que a vida não seja do jeito que queremos, ela pode melhorar, e que no final o período de sofrimento pode valer a pena.
Não sabia da existência do livro até esse ano (confesso que nunca parei para ler na wikipedia sobre o filme, nem costumo procurar as origens dos filmes que assisto) e acabei adquirindo um exemplar em uma promoção. As ilustrações são frequentes e muito fofas, dando um ar infantil à história, e uma quebra em alguns momentos um pouco mais pesados.
Gostei muito do acabamento e do tamanho do texto, o que tornou a leitura agradável. Minha única reclamação é para as páginas brancas, se fossem amareladas seria mais agradável ainda. Recomendo o livro para todas as faixas etárias, acredito que possa encantar a todos. Para quem não conhece o filme, não esqueça de conferir, pois apesar de ter algumas diferenças é mágico também.
Link da resenha: http://www.sincerando.com/2013/12/matilda.html