@MagnusKenjiHiraiwa

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Magnus Kenji Hiraiwa

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Magnus Kenji Hiraiwa's Most Popular Reviews

Esbarrei com ele algumas vezes ao longo dos anos, em diversos textos, mas só consegui ler agora. Por mais fundamental que seja na história da filosofia ocidental, é um livro que só vale a pena ler se você sabe onde quer chegar com ele. Mesmo assim, não recomendo que quem esteja estudando epistemologia procrastine muito a leitura.

A edição da Unesp é excelente.

Eu não sei se gostei de como foi escrito, de modo tão hermético, quadrado, direto. Talvez seja para que se preste atenção na narrativa; talvez seja para dar conta do pensamento do narrador, dizendo, em parte, o que ele mesmo representa através de sua linguagem. De todo modo, uma história pode ser interessante sem que a escrita seja. Há eu emoções que não precisam se esconder em estilo.

Acho que cai em vários clichês, alguns deles pelos próprios temas que aborda. Faz o que pode para ultrapassar eles, o que rende algumas das melhores partes, mas torci o nariz para muita coisa. O esforço de não reduzir um personagem negro a “o que há de negro dele”, mas incorporar ao drama, é a principal virtude do que há de melhor aqui. Dá universalidade. Quebra o arquétipo do sofredor-que-sofre-em-história-sofrida, que reduz o personagem ao seu sofrimento e, na minha opinião, desumaniza ele. Traz pro coração.

Uma amiga comentou, e dou razão a ela, que é um livro muito enviesado com a perspectiva masculina que idealiza o pai e coloca a mãe como louca na relação, um pouco demonizando. Eu acho que isso conversa com os muitos clichês e traços arquetípicos que acabam atravessando a narrativa.

Quando ele enriquece de detalhes as experiências, mesmo que imaginadas, tentando buscar a resposta ao seus pais como pessoas e pais, é que realmente vem à tona um desejo íntimo de compreensão e a obra é capaz de criar um drama sólido.

Lendo as reviews, realmente sinto que as pessoas perderam a capacidade de lidar com o contraditório. Acho que por isso esse livro é tão provocativo e polêmico e, ao mesmo tempo, tão relevante.

É tempo em que o desejo pelo puro, pelo casto, pelo intocado, é glorificado; e a humanidade, em tudo de ruim e melancólico que lhe corresponde, é jogada às traças. É preciso ser perfeito. E o sentir real, frequentemente contraditório, por não ser perfeito, sob esses moldes muito óbvios e reiterados de certo e errado, não merece comiseração.

Para certa gente, expor e se compadecer é endossar. Quando não há pureza, expia como se culpa fosse; ou justifica, se lhe convém. O resultado é que, quando não soam anacrônicos, soam moralistas; quando não soam moralistas, soam hipócritas. Em alguns casos, soam tudo isso ao mesmo tempo.

São quase tão católicos em sua culpa e julgamento quanto qualquer beata que passeia por aí.

Tudo é Rio, com sua capacidade de não ser o esperado, mexe com essa moralidade muito flácida de quem pensa que nunca errou ou pensa tanto de si e de sua visão de mundo que esquece do outro.

Mesmo o aspecto mais negativo, a tendência ao naturalismo, que flerta com certa visão arquetípica dos personagens, é consistentemente interrogado. O sentimento, que é o que move realmente a trama, desfaz ou pelo menos questiona esses arquétipos; e as incursões por traz da vida de cada um também rompem as aparências. Por isso, dificilmente poderia ser acusado de ser um livro simplista na forma de lidar com os personagens. É uma obra muito capaz de compreender cada um deles e transmitir as suas mudanças, por mais que essas mudanças não sejam o que a gente quer ou espera.

De fato, como o foco não está na sociedade e nas condições de vida (pra isso, vá ler Jorge Amado), mas sim nos sentimentos e nas formações psicológicas que lhes correspondem, uma abordagem dos personagens desse tipo é muito mais eficaz do que os rodeios de trama. Aliás, nessa interrogação do arquétipo ou o seu uso inteligente é que mora o charme de um García Lorca. É também fruto dessa tradição o plot twist melodramático e as incursões do narrador.

É livro pra reler, eventualmente. Por enquanto, é isso. Joguem pedras!

Gostoso de ler e dotado de uma exposição colorida. Se Boris Fausto é o arroz com feijão da história do Brasil, esse aqui é a a la minuta acompanhada de uma bela salada de batata.

Decepcionante.

A deterioração da saúde mental da narradora-protagonista é a única coisa realmente interessante. É esse retrato honesto da piora da condição psicológica, da culpa, do ódio a si mesma e aos outros, que triunfa. Se você se interessa nesses elementos, nessa capacidade de identificação específica com o sentir da protagonista, você vence a narrativa.

Se você tenta ir além disso, surge um retrato de capacidade reflexiva limitada sobre a condição mental da narradora. O livro trata muito de seu sentir imediato e de lembranças fruto do instante, o que tem seus prós e contras, mas, pra mim, não trouxe nada de especial. Isso casa com o problema de que nada nesse livro justifica o quão insuportável é a narradora. Foi duríssimo passar por todo o incômodo das reclamações constantes, especialmente na primeira parte. O resultado é uma narrativa que parece resistir a si mesma e deixa o leitor sem vontade alguma de querer saber algo sobre a protagonista, tornando-o muito menos instigante e provocativo do que poderia ser. Quando o livro realmente melhora, na metade, e mergulha na depressão, eu já não tinha mais vontade de saber o que aconteceria.

O pecado original é que, sabendo se tratar de um livro que se mistura com a vida da autora, esse retrato psicológico ganha um ar autoindulgente. Começa a emergir à reflexão uma obra escrita no susto, no espírito do sentimento, faltando certa consciência que a engrandeceria, restando somente um retrato fidedigno do sentimento da depressão. Nisso reside a única importância dessa obra. O pior é que todos os elementos para começar a pensar com mais gosto e envolvimento estão lá, mas sem fazer questão de despertar interesse. A linguagem tem seus momentos, mas, no geral, não é inspirada o suficiente para intrigar.

Eu entendo quem gostou. Not my cup of tea.