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See allBen Stiller realmente pegou a única parte interessante desse livro pra fazer um filme legal.
Só em um conto, vi o estilo narrativo de Thurber casar bem com a narrativa em si, quando ele narra como que conta uma história encadeada. Fora isso, os diálogos concatenados em parágrafos longos não funcionam pra mim, além de outros detalhinhos que não estou disposto a enumerar.
Por trás de alguns obstáculos, um mergulho no amor e na solidão que me conecta com o século XIX em níveis surpreendentes.
Em geral, não sou exagerado (jogado aos seus pés), então a velocidade e a intensidade dos romances clássicos não dialoga muito comigo. Mas escapando desse desconforto superficial, me vejo um pouco no Sonhador, vagando no ermo, analisando passantes, criando relações com ambientes; e buscando conexões pra dividir esse mundo com alguém.
Os sentimentos aqui são universais: o sentir-se preso em casa, o querer aproveitar a vida, não perceber que já a está aproveitando. E a neblina luminosa das noites brancas deixa tudo meio etéreo.
Uma característica estrutural que me agradou bastante foi que a história se limita às noites, usando a última manhã como epílogo. Os acontecimentos do dia são secundários, contados por alto, o que torna os encontros e desencontros das noites mais importantes e isolados.
Os textos, ilustrações e o projeto da Antofágica, como sempre, deixam a apreciação da obra muito mais potente e agradável.
O jeito que Borges dispõe suas entradas quase catalográficas gera sobreposições e análises comparativas muito instigantes.
O texto me convidou a refletir sobre a potência do imaginário humano, suas convergências e divergências, e sobre a pura quantidade de mitos e fantasias que já criamos, como espécie, a fim de dar algum sentido à nossa existência no cosmos.
Merecem destaque, ao meu ver: o quimerismo - como estratégia de criação de fauna fantástica, misturando outros animais conhecidos - que está presente na maioria absoluta desses seres; os “animais esféricos”, os quais o autor usa para explorar os momentos ao longo das eras em que a humanidade tratou astros e planetas como seres vivos; e a inclusão de animais “sonhados” por célebres autores relativamente recentes, como Kafka ou Poe.
Cabe também citar que o estilo de escrita de Borges, aqui, não difere muito da maioria dos seus contos que já tive contato. Ele dá aos mitos e cosmogonias um ar de História, com H maiúsculo, incluindo autores e referências, e nunca desrespeitando as origens desses seres.
Acredito que a escrita como acesso à memória de Ernaux funcione melhor com quem já viveu experiências semelhantes.
Apesar de descrever bem experiências e situações, senti falta de ler reflexões ou sentimentos relacionados a esses momentos. Elas existem, e foram minhas partes favoritas, mas não chegaram a ser suficientes ao meu ver.