

Tem seus altos e baixos.
Segundo resenha da Folha de São Paulo estampada na contracapa, neste livro Eco deixa seu “virtuosismo correr livre”. Livre demais pro meu gosto, sinceramente. É muita referência em cima de referência, menções em cima de menções, e talvez seja minha culpa por não estar no clima pra ficar correndo à Wikipédia 12 vezes a cada parágrafo pra saber de que diabo ele está falando, mas olha… Muito chato. Detestei esses arroubos de “virtuosismo” que povoam o livro todo e explicam o seu tamanho (quase 700 páginas).
Não são só as referências. Mesmo as ações das personagens, as reflexões, são colocadas de um jeito que deveria soar poético, misterioso, profundo, mas, sei lá, na maioria das vezes – e especialmente no começo – eu simplesmente achei bobo e pretensioso.
Mas eu queria gostar do livro. Amigos me disseram que ele demora pra ficar bom. Segui dando uma chance.
Foi lá pela página 200 que comecei a entender melhor o básico da trama, sua ideia geral, e é aí que deu mais ânimo de ler. As coisas vão se desdobrando bem até que chega a parte em que Belbo decide agir, e aí a narrativa realmente te prende; se demorei semanas e semanas pra ler as primeiras 200 páginas, li as últimas 200 em menos de 24 horas.
No fim das contas, eu fiquei bem dividido com esse livro (por isso a nota 3).
Estruturalmente, ele é muito estranho, e acho que num sentido negativo. Ele é grande demais. Mesmo entendendo que ele narra uma lenta espiral de envolvimento com uma teoria de conspiração, e aí nesse sentido ele precisa passar essa atmosfera de entorpecimento, tem muita coisa desnecessária, aqui, e não falo nem necessariamente da erudição. Por que o protagonista veio ao Brasil? No fim das contas, que propósito tem a personagem Amparo? Esse livro poderia tranquilamente ter umas 250 páginas a menos, e seria melhor por isso.
Mas essa não é nem a maior questão. O livro se passa em três tempos distintos: o protagonista dentro do museu, esperando dar a meia-noite; o protagonista, dias antes, lendo os registros que Belbo fez no “Abulafia”; e tudo que aconteceu antes, explicando esses dois momentos. Só que, por um lado, nada acontece ao longo de 500 páginas enquanto o protagonista espera, então, nós somos lembrados que ele está lá, esperando, pra nada… E os arquivos do Abulafia que ele vai lendo, nossa senhora, outra chatice sem fim. Teve uma hora que eles ficaram tão, tão, tão longos, que não deu pra mim – eu pulei um inteirinho. Horrível. Inúteis pra história e chatos em termos de seja lá qual mensagem ele estava tentando passar.
Então em termos de “formato” foi um livro bem difícil de engolir. Mas, em termos de conteúdo, ele é no mínimo curioso. Há partes muito legais (as duas intervenções da Lia me vêm à cabeça; o final do cap. 37, algumas coisas do 119), mas na verdade o que fica é a reflexão posta na mesa pelo conjunto da obra (e reforçada, talvez explicitamente até demais, pelas reflexões finais de Casaubon). A tensão esperada entre “magia” (existe conspiração) e ciência (é tudo teoria da conspiração) vai se desfazendo na medida em que se entende que há um esforço científico em entender as coisas ao mesmo tempo em que isso ocorre no contexto de uma busca por um “segredo” que venha preencher um vazio – e, claro, muita sede de poder, ou, no mínimo, de “distinção”, o que é um toque muito interessante que o livro vai desenvolvendo a partir da psicologia de seus personagens.
Não sei, sinto que há bastante a se explorar em termos da “mensagem” do livro; é algo que ainda estou mastigando, sinto que vou retornar a seus temas muitas vezes – mas, também, que bom seria que eles fossem desenvolvidos em um formato um pouco menos maçante e truncado.
Tem seus altos e baixos.
Segundo resenha da Folha de São Paulo estampada na contracapa, neste livro Eco deixa seu “virtuosismo correr livre”. Livre demais pro meu gosto, sinceramente. É muita referência em cima de referência, menções em cima de menções, e talvez seja minha culpa por não estar no clima pra ficar correndo à Wikipédia 12 vezes a cada parágrafo pra saber de que diabo ele está falando, mas olha… Muito chato. Detestei esses arroubos de “virtuosismo” que povoam o livro todo e explicam o seu tamanho (quase 700 páginas).
Não são só as referências. Mesmo as ações das personagens, as reflexões, são colocadas de um jeito que deveria soar poético, misterioso, profundo, mas, sei lá, na maioria das vezes – e especialmente no começo – eu simplesmente achei bobo e pretensioso.
Mas eu queria gostar do livro. Amigos me disseram que ele demora pra ficar bom. Segui dando uma chance.
Foi lá pela página 200 que comecei a entender melhor o básico da trama, sua ideia geral, e é aí que deu mais ânimo de ler. As coisas vão se desdobrando bem até que chega a parte em que Belbo decide agir, e aí a narrativa realmente te prende; se demorei semanas e semanas pra ler as primeiras 200 páginas, li as últimas 200 em menos de 24 horas.
No fim das contas, eu fiquei bem dividido com esse livro (por isso a nota 3).
Estruturalmente, ele é muito estranho, e acho que num sentido negativo. Ele é grande demais. Mesmo entendendo que ele narra uma lenta espiral de envolvimento com uma teoria de conspiração, e aí nesse sentido ele precisa passar essa atmosfera de entorpecimento, tem muita coisa desnecessária, aqui, e não falo nem necessariamente da erudição. Por que o protagonista veio ao Brasil? No fim das contas, que propósito tem a personagem Amparo? Esse livro poderia tranquilamente ter umas 250 páginas a menos, e seria melhor por isso.
Mas essa não é nem a maior questão. O livro se passa em três tempos distintos: o protagonista dentro do museu, esperando dar a meia-noite; o protagonista, dias antes, lendo os registros que Belbo fez no “Abulafia”; e tudo que aconteceu antes, explicando esses dois momentos. Só que, por um lado, nada acontece ao longo de 500 páginas enquanto o protagonista espera, então, nós somos lembrados que ele está lá, esperando, pra nada… E os arquivos do Abulafia que ele vai lendo, nossa senhora, outra chatice sem fim. Teve uma hora que eles ficaram tão, tão, tão longos, que não deu pra mim – eu pulei um inteirinho. Horrível. Inúteis pra história e chatos em termos de seja lá qual mensagem ele estava tentando passar.
Então em termos de “formato” foi um livro bem difícil de engolir. Mas, em termos de conteúdo, ele é no mínimo curioso. Há partes muito legais (as duas intervenções da Lia me vêm à cabeça; o final do cap. 37, algumas coisas do 119), mas na verdade o que fica é a reflexão posta na mesa pelo conjunto da obra (e reforçada, talvez explicitamente até demais, pelas reflexões finais de Casaubon). A tensão esperada entre “magia” (existe conspiração) e ciência (é tudo teoria da conspiração) vai se desfazendo na medida em que se entende que há um esforço científico em entender as coisas ao mesmo tempo em que isso ocorre no contexto de uma busca por um “segredo” que venha preencher um vazio – e, claro, muita sede de poder, ou, no mínimo, de “distinção”, o que é um toque muito interessante que o livro vai desenvolvendo a partir da psicologia de seus personagens.
Não sei, sinto que há bastante a se explorar em termos da “mensagem” do livro; é algo que ainda estou mastigando, sinto que vou retornar a seus temas muitas vezes – mas, também, que bom seria que eles fossem desenvolvidos em um formato um pouco menos maçante e truncado.