

Como é interessante a repulsa que às vezes podemos sentir por uma posição parecida com a nossa mas diferente o suficiente para causar atrito... Minhas percepções *durante* a leitura foram mais duras do que seria justo; tendo terminado o livro, acho que é um argumento OK mas que peca em alguns pontos.
No que tange às diferenças, acho que o autor confunde algumas coisas, tira conclusões estranhas dos dados que apresenta, deixa no ar alguns não-ditos que prejudicam a apreciação de uma versão mais interessante do argumento... Em especial porque me parece que parte de uma posição bastante sectária de luta social em que não reconhece avanços parciais, muito rapidamente julga-os como recuperados pelo sistema e inúteis a um avanço maior (comenta sobre 2013 da perspectiva do ""grau de insuportabilidade"", mas não parece saber que na verdade essas revoltas ocorrem justamente após um período de ascensão social), e tem uma obsessão com a necessidade de ""unidade"" dentro da classe trabalhadora (e inclusive uma visão bem tosca - o futuro é colorblind, mano - de igualdade) que trai uma certa alergia ao reconhecimento de lutas transversais que possam provocar conflitos produtivos. Enfim, certas diferenças, mesmo entre posições parecidas, causam um ranço porque é justamente porque são com pessoas que pensam parecido que a gente acaba convivendo mais, e portanto com as quais acabamos nos estranhando mais... O ranço é grande porque eu imagino o tipo de consequência política que essa postura do livro traz pra militância, e sinceramente, acho essa postura tão improdutiva quanto os excessos identitários que o livro critica.
Como é interessante a repulsa que às vezes podemos sentir por uma posição parecida com a nossa mas diferente o suficiente para causar atrito... Minhas percepções *durante* a leitura foram mais duras do que seria justo; tendo terminado o livro, acho que é um argumento OK mas que peca em alguns pontos.
No que tange às diferenças, acho que o autor confunde algumas coisas, tira conclusões estranhas dos dados que apresenta, deixa no ar alguns não-ditos que prejudicam a apreciação de uma versão mais interessante do argumento... Em especial porque me parece que parte de uma posição bastante sectária de luta social em que não reconhece avanços parciais, muito rapidamente julga-os como recuperados pelo sistema e inúteis a um avanço maior (comenta sobre 2013 da perspectiva do ""grau de insuportabilidade"", mas não parece saber que na verdade essas revoltas ocorrem justamente após um período de ascensão social), e tem uma obsessão com a necessidade de ""unidade"" dentro da classe trabalhadora (e inclusive uma visão bem tosca - o futuro é colorblind, mano - de igualdade) que trai uma certa alergia ao reconhecimento de lutas transversais que possam provocar conflitos produtivos. Enfim, certas diferenças, mesmo entre posições parecidas, causam um ranço porque é justamente porque são com pessoas que pensam parecido que a gente acaba convivendo mais, e portanto com as quais acabamos nos estranhando mais... O ranço é grande porque eu imagino o tipo de consequência política que essa postura do livro traz pra militância, e sinceramente, acho essa postura tão improdutiva quanto os excessos identitários que o livro critica.