Eu devia ter uns 15 ou 16 anos quando o li a primeira vez, e esperei o máximo que pude para voltar a ler, para que a experiência não fosse contaminada. Infelizmente não esqueci tudo, mas felizmente esqueci o suficiente para que reler este livro fosse quase (mas só quase) como ler pela primeira vez.
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Mesmo eu sabendo o final e sabendo todo o plot-twist (é impossível esquecer), foi fascinante passar por todo o processo de chegar lá. Era o meu policial favorito há dez anos, continua a ser um dos favoritos agora.
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Este foi um dos melhores livros que eu li em 2021, e estou extremamente feliz por finalmente ter chegado às prateleiras portuguesas!
Esta é a história de Chanel Miller, a vítima de Brock Turner — um caso, que abalou os noticiários e derrubou o Twitter entre 2015 e 2018, comumente famoso porque o juíz do caso deu uma pena absurdamente leve a Brock porque considerou que ele era um “jovem promissor” que já iria “sofrer o suficiente” com aquele “erro”.
Sim, vocês leram bem. Ele recebeu somente 6 meses de prisão, dos quais apenas cumpriu apenas três, porque era “um jovem promissor”.
Durante o julgamento, a vítima permaneceu anónima, sendo falada pelos media pelo nome de Emily Doe. Em 2019, Emily Doe quebrou o anonimato ao lançar um livro de memórias, “Know my name”, revelando o seu nome verdadeiro: Chanel Miller.
Pessoalmente, acho que este livro deve ser mais lido do que falado, porque há coisas que jamais podem ser transmitidas sem ser pelas palavras da mulher incrível que o escreveu. Não obstante, a forma mais prática e realista de pôr as pessoas a falar de um livro, é falar dele. É um paradoxo. Portanto, vamos falar sobre ele.
O caso de Chanel foi, como todos os casos de violação, mediático pelas razões erradas. As pessoas culpavam ou questionavam a vítima, procuravam justificar ou legitimavam as ações de Brock, minimizavam o que ele fez e, de uma forma geral, não acreditavam.
No livro, Chanel fala do seu próprio caso, mas também fala sobre a cultura que permite que violadores saiam livres dos seus crimes, ou tenham penas lenientes. Fala das humilhações que ela viveu, dentro e fora do tribunal, e de como os comentários negativos à sua história a afetaram mais do que todo o apoio que recebeu. Falou sobre a dúvida e a desconfiança com que as vítimas são recebidas, sobre a forma como a sociedade protege os homens e os rapazes, mesmo quando é provado que eles cometerem o crime, mesmo quando é demonstrado que eles mentiram uma e outra e outra e outra vez.
Mais do que sobre a violência que ela própria viveu (e sobreviveu) e mais do que análises acutilantes ao grave problema que a sociedade faz questão de ignorar, este livro é sobre a sua luta. Externa, nos tribunais, mas também interna, dentro da sua mente, da sua alma, com os seus sentimentos e demónios interiores. É um livro sobre um processo doloroso de procura de paz, de cura, de viver além de sobreviver. Das lições que aprendeu, do que fez para tentar curar a dua dor — ou aliviá-la.
Chanel é acutilante no seu livro, mas também é frágil, honesta, transparente. Pinta um autoretrato de superação e de recuperação, de luta e de perseverança; inspirou milhares de mulheres no mundo inteiro com o seu victim statement e depois outras mais com este livro de memórias. A crueza das suas palavras, mas também uma certa poesia nelas, nos seus pensamentos, nos seus sentimentos. E faz-nos refletir sobre o perdão e a sua relação com os traumas.
Review inteira: https://itsrafaela.com/chanel-miller-know-my-name/
A premissa da gravidez é algo que descobrimos no final de The Score e eu confesso que, para mim, isso normalmente mata-me a curiosidade. Porém, este era o livro do Tucker, cuja masculinidade era tão segura que ele usava um avental cor-de-rosa com a mesma confiança que usava o jersey de hockey. E já que era o último, bem, porque não? Portanto, li. E gostei.
A Sabrina foi a minha moça favorita entre as quatro protagonistas da série, mas eu realmente admiro a sua resiliência e a forma como ela encarava os desafios com as unhas de fora e uma determinação de ferro. Mesmo quando estava derrotada, no fundo do poço, encontrava a força para escalar de volta ao topo. Claro que essa é a razão por que a relação dela com o Tucker é turbulenta, mas faz dela uma personagem bastante sólida. E o Tucker, bem... é o melhor dos quatro, mesmo que a história dele não seja. O Tucker é sem dúvida o único dos quatro que realmente tem uma veia romântica e os pés bem assentes no chão — e não apenas no que toca à Sabrina, mas tudo na sua vida.
Portanto, ainda bem que dei uma oportunidade ao quarto livro, porque acabei de gostar dele. Na verdade, é o meu segundo favorito da série.
A história de Butch, o humano que se transformou no animal de estimação da Irmandade depois de uma série de eventos. E de Marissa, a ex-companheira de Wrath (primeiro livro) e que, por uma série de outros eventos, se tornou numa pária na sociedade vampírica.
Temos um humano frustrado com a vida e encantado por uma vampira, temos uma vampira frustrada com a vida e encantada com um humano. E temos toda uma série de obstáculos, uns mais obtusos que outros, que os impedem de ficar juntos.
Na primeira vez que li esta série, não estava muito entusiasmada com este livro. O Butch nunca foi um personagem particularmente interessante para mim. Porém, da primeira vez que li a saga eu não me apercebi do quão complexa era a relação dele com o Vishous. E foi essa relação, que foi subtilmente referenciada nos livros anteriores, que me deixou interessada em lê-lo desta vez.
A Marissa era um tanto chata nos livros anteriores, mas neste aqui ela sofreu uma evolução épica que a tornou numa personagem mais interessante. E o Butch, bem... o Butch continua a ser o Butch de sempre. Mas há algumas reviravoltas vagamente aliciantes que compensam. Em típica fashion desta série, eles parecem um gato e um rato a jogar ao toca-e-foge, e lá pelo meio a autora ainda decidiu enfiar não apenas um triângulo, mas todo um quarteto amoroso. Eu fiquei com pena do V no final, mas ao mesmo tempo, aliviada. Ele merece melhor.
Toda a cena da virgindade da Marissa... não, obrigada. Foi apenas... não. Mas tudo bem, ela tornou-se uma mulher empoderada e isso compensou. Também acho que foi o livro da série com menos sexo até aqui. E eu sei que isto é uma serie de romances eróticos, mas eu apreciei essa moderação.
(DNF)
▪️ Nas primeiras duas paginas, não entendi o que se estava a passar. Num parágrafo a personagem está a ver-se ao espelho (e aqui, temos uma das formas de descrição mais preguiçosas e clichês da literatura: colocar o personagem em frente ao espelho e a dizer o que vê), no outro está sentada no café.
▪️ A escrita é rebuscada demais. É uma coisa tão típica da literatura portuguesa que nem surpreende. Para mim, há poucas coisas mais chatas do que palavrões onde podiam estar palavras simples, frases de 3 linhas que podiam ser 4 frases, e tentativas de lirismo forçado.
▪️ Os diálogos não são verosímeis de todo. As pessoas reais não falam assim na vida real. Quem é que usa a palavra “néscio” numa conversa casual? Quem é que diz “só para ver os jardins da cidade de que ela sempre gostou, responde-me, com tristeza, mas de forma firme, que já viu tudo”? Num diálogo? Os personagens falam como se fossem narradores.
▪️ O tempo verbal está constantemente a saltar. Ora a história está a ser narrada no presente, ora salta para o passado, ora volta ao presente no final da frase. Torna-se desconcertante.
▪️ Por fim, os personagens são estereótipos. Mas isso é a minha impressão do pouco que li. Talvez mais à frente eles se tornem mais interessantes.
▪️ Dou três estrelas porque é uma autora portuguesa e porque não é terrível. Mas a verdade é que ao fim de 10 páginas eu já sabia que não o ia conseguir acabar - e é livro que não chega às 150 páginas.
▪️ Queria ter conseguido ler mais, porque a premissa é interessante. Nunca tinha ouvido falar do livro e peguei nele precisamente pela sinopse. Mas por mais que uma história possa ser muito boa, se eu não sentir a leitura fluída, não consigo avançar.
▪️ Portanto, deixo 3 estrelas. Porque não acredito que, mesmo se o terminasse, lhe fosse dar mais que isso; e porque, precisamente por não o ter terminado, não seria justo dar menos que isso.