

É muito, muito bom, mas na minha opinião não merece um 5 porque ficou meio desequilibrado; 80% do livro é ele com aquela relação (vamos chamá-la "ruim") em relação ao filho, ou pelo menos é só esse o lado da relação que enxergamos. Nos outros 20% ele do nada (ou melhor, não do nada, mas a partir do episódio de desaparecimento dele) vira um pai "menos ruim", digamos assim. Não pra dizer que a transição não foi sutil; só que parece que faltou mais desenvolvimento pra essa transformação. Além disso, como vemos a vida do pai a partir de uma ótica muito totalizante - tudo, absolutamente tudo passa pelo filtro da relação dele com o filho - ficamos com um ponto de vista muito torto e incompleto da vida dele. Por exemplo, depois de um certo tempo a mulher desaparece completamente do quadro. Ficamos na dúvida: ele ainda a ama? Sequer a considera? Ou eles se separaram em algum momento no tempo e o autor não se dignou a mencionar? Enfim, isso deixa o livro meio sobrecarregado, até uma pontinha de cansativo (quem não rolou os olhos uma vezinha com a repetição de "kitsch"? Pelamor).
É muito, muito bom, mas na minha opinião não merece um 5 porque ficou meio desequilibrado; 80% do livro é ele com aquela relação (vamos chamá-la "ruim") em relação ao filho, ou pelo menos é só esse o lado da relação que enxergamos. Nos outros 20% ele do nada (ou melhor, não do nada, mas a partir do episódio de desaparecimento dele) vira um pai "menos ruim", digamos assim. Não pra dizer que a transição não foi sutil; só que parece que faltou mais desenvolvimento pra essa transformação. Além disso, como vemos a vida do pai a partir de uma ótica muito totalizante - tudo, absolutamente tudo passa pelo filtro da relação dele com o filho - ficamos com um ponto de vista muito torto e incompleto da vida dele. Por exemplo, depois de um certo tempo a mulher desaparece completamente do quadro. Ficamos na dúvida: ele ainda a ama? Sequer a considera? Ou eles se separaram em algum momento no tempo e o autor não se dignou a mencionar? Enfim, isso deixa o livro meio sobrecarregado, até uma pontinha de cansativo (quem não rolou os olhos uma vezinha com a repetição de "kitsch"? Pelamor).

O livro é excelente e, considerando-o como a última parte da trilogia, é ainda mais impressionante. Um page-turner absoluto, que me fez engolir o livro com voracidade durante uns 4 ou 5 dias. A história é muito bem construída e encadeada, assim como nos outros dois livros, mas segue um ritmo maior e ainda mais catártico. É verdadeiro, singelo, poderoso, e provavelmente fará mais pelo feminismo que muito artigo universitário. A única coisa que diminui um pouco o livro é o estilo do autor, que é mais seco que o Atacama. Tem seu charme nos primeiros livros, e suspeito que se a pessoa dá um tempo entre um e outro ele se torna mais interessante. No entanto, o narrador-máquina-de-ponto já tinha se tornado insuportável pra mim lá pela página 550.
O livro é excelente e, considerando-o como a última parte da trilogia, é ainda mais impressionante. Um page-turner absoluto, que me fez engolir o livro com voracidade durante uns 4 ou 5 dias. A história é muito bem construída e encadeada, assim como nos outros dois livros, mas segue um ritmo maior e ainda mais catártico. É verdadeiro, singelo, poderoso, e provavelmente fará mais pelo feminismo que muito artigo universitário. A única coisa que diminui um pouco o livro é o estilo do autor, que é mais seco que o Atacama. Tem seu charme nos primeiros livros, e suspeito que se a pessoa dá um tempo entre um e outro ele se torna mais interessante. No entanto, o narrador-máquina-de-ponto já tinha se tornado insuportável pra mim lá pela página 550.

Stephenie Meyer melhorou o que ela sabia fazer bem em Crepúsculo (na minha opinião, pouco), continuou insonsa em termos de estilo, mas rapaz, que história! Isso compensou qualquer falta em qualquer sentido. Muito diferente de Crepúsculo; imensamente superior.
Edit: uma coisa que pensei nos últimos dias é o quão inspirada foi a atribuição da capacidade de mentir como um tipo de termômetro informal da ""humanidade"" da Peregrina. À medida que ela ia progredindo com os humanos, mais aceitável lhe parecia a ideia de mentira, mais frequentemente ela mentia, com maior perícia ela mentia, e por motivos cada vez mais diferentes ela mentia. No final do processo, ao estar ""humanizada"" nos termos de como podemos ver a linha do tempo da história, ela sabia mentir razoavelmente bem, como mais ou menos todo mundo (todo mundo humano, no caso).
O ponto central desse detalhe (e a ""lição de moral"") não é que os humanos são gente suja e mesquinha e podre que só mente. Não, não, há algo a mais por isso. A definição de mentira é flexível, longa; suas fronteiras, pouco definidas. Mas ser incapaz de mentir e se tornar capaz disso é também adquirir a capacidade de reimaginar o mundo, usar da criatividade e da imaginação (para Sartre, um conceito-chave que servia de porta para a concepção de liberdade humana) para pensar em uma realidade diferente, como ela gostaria que a sua realidade fosse. À medida que ela vai integrando esse modis operandi ao seu ser ela vai entendendo que não é apenas uma engrenagem numa maquinaria que funciona perfeitamente (e não seria, portanto, desejável que as coisas seguissem de outra forma). Pelo contrário: a realidade social humana demanda intervenção, escolhas, e ela resolveu participar nesse processo ao moldar a realidade à sua volta para tomar iniciativa em relação à própria vida.
Isso não é uma apologia à mentira, mas uma análise mais geral do processo que motivou as mentiras dela e possibilitou que Peregrina as visse com naturalidade e conseguisse usá-las como uma humana, embora com objetivos relativamente nobres.
Stephenie Meyer melhorou o que ela sabia fazer bem em Crepúsculo (na minha opinião, pouco), continuou insonsa em termos de estilo, mas rapaz, que história! Isso compensou qualquer falta em qualquer sentido. Muito diferente de Crepúsculo; imensamente superior.
Edit: uma coisa que pensei nos últimos dias é o quão inspirada foi a atribuição da capacidade de mentir como um tipo de termômetro informal da ""humanidade"" da Peregrina. À medida que ela ia progredindo com os humanos, mais aceitável lhe parecia a ideia de mentira, mais frequentemente ela mentia, com maior perícia ela mentia, e por motivos cada vez mais diferentes ela mentia. No final do processo, ao estar ""humanizada"" nos termos de como podemos ver a linha do tempo da história, ela sabia mentir razoavelmente bem, como mais ou menos todo mundo (todo mundo humano, no caso).
O ponto central desse detalhe (e a ""lição de moral"") não é que os humanos são gente suja e mesquinha e podre que só mente. Não, não, há algo a mais por isso. A definição de mentira é flexível, longa; suas fronteiras, pouco definidas. Mas ser incapaz de mentir e se tornar capaz disso é também adquirir a capacidade de reimaginar o mundo, usar da criatividade e da imaginação (para Sartre, um conceito-chave que servia de porta para a concepção de liberdade humana) para pensar em uma realidade diferente, como ela gostaria que a sua realidade fosse. À medida que ela vai integrando esse modis operandi ao seu ser ela vai entendendo que não é apenas uma engrenagem numa maquinaria que funciona perfeitamente (e não seria, portanto, desejável que as coisas seguissem de outra forma). Pelo contrário: a realidade social humana demanda intervenção, escolhas, e ela resolveu participar nesse processo ao moldar a realidade à sua volta para tomar iniciativa em relação à própria vida.
Isso não é uma apologia à mentira, mas uma análise mais geral do processo que motivou as mentiras dela e possibilitou que Peregrina as visse com naturalidade e conseguisse usá-las como uma humana, embora com objetivos relativamente nobres.

Esse livro é muito, muito, muito bom. Daqueles livros que transformam a perspectiva da gente - e acredito que ele tenha o potencial de fazer isso com a maioria de nós, já que a distribuição dos pecados abordados no livro é grande: desde de não ter muito empatia com crianças (guilty!) como ter uma mentalidade de ensino muito inculcada.
John Holt é como um Ivan Illich trabalhando numa escala micro e, sinceramente, apesar de Illich ser muito poderoso, Holt traz um ângulo e uma voz caristmáticos demais para não grudarem mais na memória. Como não conheço muito da Áustria, não sei muito o que posso dizer, mas há uma diferença perceptível de estilo - o estilo mild, pop-art, bem americano de Holt contra algo bem mais contundente, artístico, e erudito de Illich. Mas é, claro, uma disputa de cachorros grandes que eu faço por diversão e apenas porque admiro muito ambos; não há dicotomia, e há muito o que celebrar em termos de similaridades: tanto a erudição quanto a vontade de transmitir essa mensagem forte e urgente para o coração do leitor.
Mas voltando ao Holt: esse livro é realmente excelente e me fez procurar mais - a obra dele salta aos olhos com coisas muito interessantes. Essa perspectiva sobre crianças, sobre juventude, vai me deixar pensativo por um bom tempo. Vale notar que a maneira como as crianças são tratadas por sociedades tradicionais indígenas e também pela sociedade feudal japonesa (lembro do Bushido, em que é dito que um menino de 4 anos começa a treinar com uma katana menor, se não estou enganado) tem muita conexão com tudo isso. É realmente um eye-opener; em termos de conteúdo é completo sem ser enfadonho, diversificado sem se perder, enfim: equilibrado em todos os sentidos. Ajuda o fato de essa ser uma versão revisada, provocando um diálogo entre o mesmo escritor mais jovem e mais velho, um toque a mais de evolução e transformação que ajuda a compreender a ideia ainda mais.
O que ficou para fim no final foram questões que vejo como parcialmente resolvidas mais ao final do livro. A primeira foi se essa mesma forma de encarar o aprendizado poderia ser aplicado aos adultos; afinal, não faz sentido dizer que as crianças deveriam ficar longe das escolas mas que as universidades podem ficar como estão. A segunda, é como fica isso no ensino de línguas estrangeiras, um assunto não muito abordado no livro em termos de crianças quando elas passaram da fase de perceber o mundo como bebês. E a terceira, como afetar mudança numa escala micro quando se é professor. É impossível, como professor --- mas também como ser humano, o que me deixou realmente perplexo e um com um momento de quase epifania no capítulo 3 --- não se sentir compelido imediatamente a largar tudo pro alto e começar do zero. Mas não dá pra fazer isso, e um dia depois de ler tudo aquilo você se encontra em sala de aula com crianças (à bem da verdade crescidas, mas ainda assim muitas em idades abordadas no livro, idades de começo de ensino fundamental). O que fazer? O que é possível transplantar pra dentro de sala de aula sem sacrificar as obrigações que você foi pago para levar adiante? Como misturar as duas coisas, como infundir com essa nova visão uma realidade que pode se tornar estúpida depois de ler algumas páginas desse livro?
Ou será que não é estúpida? Volto à pergunta sobre os adultos. Um adulto, ao aprender uma língua estrangeira, precisa passar por muitas das coisas que o livro discute em crianças aprendendo a falar, mas com o adicional de que eles são muito apegados à clareza com a qual a língua nativa se apresenta a eles e com a lógica formal de que esperam soluções para inseguranças linguísticas. Qual é o approach certo? Que eles aprendam a falar como as crianças aprenderam? Que não devemos corrigi-los? Somos pagos para corrigi-los, mas então somos pagos para estragá-los e constrangê-los? Ou justamente porque os adultos são adultos e (supostamente) lidam melhor com correções é que podemos fazê-los e esquecer um pouco o método que-na-verdade-é-falta-de-método e partir para o ensino estruturado? Intriguing.
Esse livro é muito, muito, muito bom. Daqueles livros que transformam a perspectiva da gente - e acredito que ele tenha o potencial de fazer isso com a maioria de nós, já que a distribuição dos pecados abordados no livro é grande: desde de não ter muito empatia com crianças (guilty!) como ter uma mentalidade de ensino muito inculcada.
John Holt é como um Ivan Illich trabalhando numa escala micro e, sinceramente, apesar de Illich ser muito poderoso, Holt traz um ângulo e uma voz caristmáticos demais para não grudarem mais na memória. Como não conheço muito da Áustria, não sei muito o que posso dizer, mas há uma diferença perceptível de estilo - o estilo mild, pop-art, bem americano de Holt contra algo bem mais contundente, artístico, e erudito de Illich. Mas é, claro, uma disputa de cachorros grandes que eu faço por diversão e apenas porque admiro muito ambos; não há dicotomia, e há muito o que celebrar em termos de similaridades: tanto a erudição quanto a vontade de transmitir essa mensagem forte e urgente para o coração do leitor.
Mas voltando ao Holt: esse livro é realmente excelente e me fez procurar mais - a obra dele salta aos olhos com coisas muito interessantes. Essa perspectiva sobre crianças, sobre juventude, vai me deixar pensativo por um bom tempo. Vale notar que a maneira como as crianças são tratadas por sociedades tradicionais indígenas e também pela sociedade feudal japonesa (lembro do Bushido, em que é dito que um menino de 4 anos começa a treinar com uma katana menor, se não estou enganado) tem muita conexão com tudo isso. É realmente um eye-opener; em termos de conteúdo é completo sem ser enfadonho, diversificado sem se perder, enfim: equilibrado em todos os sentidos. Ajuda o fato de essa ser uma versão revisada, provocando um diálogo entre o mesmo escritor mais jovem e mais velho, um toque a mais de evolução e transformação que ajuda a compreender a ideia ainda mais.
O que ficou para fim no final foram questões que vejo como parcialmente resolvidas mais ao final do livro. A primeira foi se essa mesma forma de encarar o aprendizado poderia ser aplicado aos adultos; afinal, não faz sentido dizer que as crianças deveriam ficar longe das escolas mas que as universidades podem ficar como estão. A segunda, é como fica isso no ensino de línguas estrangeiras, um assunto não muito abordado no livro em termos de crianças quando elas passaram da fase de perceber o mundo como bebês. E a terceira, como afetar mudança numa escala micro quando se é professor. É impossível, como professor --- mas também como ser humano, o que me deixou realmente perplexo e um com um momento de quase epifania no capítulo 3 --- não se sentir compelido imediatamente a largar tudo pro alto e começar do zero. Mas não dá pra fazer isso, e um dia depois de ler tudo aquilo você se encontra em sala de aula com crianças (à bem da verdade crescidas, mas ainda assim muitas em idades abordadas no livro, idades de começo de ensino fundamental). O que fazer? O que é possível transplantar pra dentro de sala de aula sem sacrificar as obrigações que você foi pago para levar adiante? Como misturar as duas coisas, como infundir com essa nova visão uma realidade que pode se tornar estúpida depois de ler algumas páginas desse livro?
Ou será que não é estúpida? Volto à pergunta sobre os adultos. Um adulto, ao aprender uma língua estrangeira, precisa passar por muitas das coisas que o livro discute em crianças aprendendo a falar, mas com o adicional de que eles são muito apegados à clareza com a qual a língua nativa se apresenta a eles e com a lógica formal de que esperam soluções para inseguranças linguísticas. Qual é o approach certo? Que eles aprendam a falar como as crianças aprenderam? Que não devemos corrigi-los? Somos pagos para corrigi-los, mas então somos pagos para estragá-los e constrangê-los? Ou justamente porque os adultos são adultos e (supostamente) lidam melhor com correções é que podemos fazê-los e esquecer um pouco o método que-na-verdade-é-falta-de-método e partir para o ensino estruturado? Intriguing.

Li este livro porque Ibrahim Cesar, amigo, colega, pessoa que muito respeito e admiro, não conseguia deixar de citá-lo por aí por voltas do início de Dezembro. Não concordei com algumas citações, o Ibrahim rebateu explicando a ideia central do livro, e eu me senti tentado a lê-lo. Li, fiz umas anotações, perdi as anotações por bobeira. A resenha não vai sair tão boa, mas enfim.
A ideia de aplicar o open-source à vida real é muito boa --- a ideia central, da qual Ibrahim gostou, eu suponho. Mas na verdade é a compartimentalização dessa ideia, ou seja, a ideia aplicada de forma isolada à atual realidade social, que me deixa desapontado com o conteúdo do livro. A filosofia open-source transforma muita coisa. O fato de que ela viria a ser (segundo o cenário futurológico ali envisionado) usada para basicamente complementar, intensificar, dar continuidade a um sistema social injusto é triste. Você se anima com um futuro melhor provocado por uma revolução na forma como produzidos e consumimos coisas, mas então percebe que o autor não tem essa mesma visão: a nova revolução industrial dele é, na verdade, uma revolução industrial como todas as outras: capitalista.
Se a proposta dele me parece falha porquanto incompleta e incompatível com uma visão de futuro justa (e apenas por isso), o background argumentativo do livro peca por uma série de coisas. Uma citação do livro, que o Ibrahim mesmo destacou, comentada: ""When we moved from hunter-gatherers to farmers, one person could feed many"" - Como se isso não fosse feito antes. Erro crasso de gente que nunca estudou antropologia e vomita senso comum com pinta de erudito. Chris Anderson me enojou nessa frase. Avante: ""We were able to break out of the cycle of most other animals, where everyone’s job is to feed themselves or their offspring"" - sociedades tradicionais nunca foram assim - ""and pursue division of labor, where we each do what we do best"" - o velho conto da carochinha do Adam Smith repetido à exaustão - ""This created spare time and energy, which could be invested in such things as building towns, inventing money, learning to read and write, and so on"" - como se a) nenhuma dessas coisas fosse possível antes, b) essas coisas fossem inerentemente e inexoravelmente positivas e c) como se todos tivessem sido agraciados com tal tempo livre bem-aproveitado para a incursão na alta-cultura. Santa ingenuidade.
Mesma coisa: ""The move from hand labor to machine labor freed up people to do something else. Fewer people in society were needed to create the bare essentials of food, clothing, and shelter, so more people could start working on the nonessentials that increasingly define our culture: ideas, invention, learning, politics, the arts, and creativity. Thus the modern age.” - Opa, tem uma inversão aí dos conceitos de ""minoria"" e ""maioria"". Esse livro não passou por uma revisão, não?
E o que dizer da forma como ele justifica os enclosures? ""Evitar a tragédia dos comuns"". Me. Fucking. Poupe. O cara não justifica nada, na verdade, papagueia o palavreado do estereótipo de economista neoliberal saído do forno. Também me lembro da passagem em que ele fala sobre a melhoria das condições de vida durante a primeira revolução industrial --- melhoria para os ricos tida como melhoria para o todo da população, que só chegou muito tempo depois. ""Mas chegou, não chegou?"", argumenta-se, mas a inacuidade histórica é simplesmente absurda para um livro desse ""tamanho"". Ou será que não se trata de inacuidade, mas da boa e velha ""trave no olho"", que faz ele enxergar da classe média pra cima o grosso da humanidade e aplicar tudo a essa parte da população?
Tinha muito mais coisas pra falar nas minhas anotações - inclusive um resuminho que tinha feito da minha opinião, tão bonitinho ele. Eu me lembro que era algo nas linhas do seguinte: a ideia é boa, mas sozinha não leva ao mundo maravilhoso que ele tanto insiste em anunciar como um messias. E eu não fui o único a notar isso.
Na busca de críticas menos puxa-saco em relação ao livro para ver se me lembrava de mais pontos negativos para os quais torci o nariz, me deparo com um excelente review no Guardian: http://www.guardian.co.uk/books/2012/dec/07/makers-chris-anderson-review . Nele, Steven Poole comenta que ""não há nuvens negras no céu futurista de Anderson"". ""At the same time as it [A visão futurista mostrada no livro] creates lots of new jobs, however, the Maker movement [...] will also be destroying lots of jobs: by replacing humans with robots in manufacturing, or by uploading product blueprints to be made in factories in other countries. Parts of the book, indeed, read like a 1990s manual on the virtues of outsourcing"". Poder-se-ia argumentar que pessoas ficando sem (esse tipo de) trabalho é uma coisa boa, mas na verdade o capitalismo não funciona assim. Isso não vai (não é uma citação, mas uma paráfrase solta) ""liberar as pessoas pra fazer coisas mais legais enquanto os robôs fazem as coisas chatas"". As pessoas vão morrer de fome porque ninguém vai dar dinheiro para elas fazerem ""coisas legais"" o dia inteiro --- Ah, mas elas têm que produzir coisas em impressoras 3D e vender e coisa e tal... Como se o mercado realmente tivesse espaço para que cada indivíduo do planeta se preocupasse em criar coisas novas para serem vendidas. Não há dinheiro, na forma como ele é distribuído, que possa ser utilizado dessa forma, com pessoas todos os dias gastando para comprar todo tipo de caraceco ou máquina. Sim, porque o mercado precisaria ser mantido aquecido --- de uma maneira absurda que simplesmente que não se sustentaria por mais de meia-hora. O fato de que menos de 40% (nos EUA, seja dito, porque no Brasil...) das startups se dão bem é minimamente indicativo disso.
Outra coisa importante: ""It's also striking that the early Maker companies that Anderson celebrates are all making nothing but shiny gewgaws for the rich: ""cool stickers for Macbooks"", toy helicopters, noise-cancelling wireless headsets, computerised wristwatches, or a $75,000 dune-buggy kit."" ""There is indeed very little patience, in this book's Silicon Valley ideology of ambient über-wealth, for the ordinary and humdrum."" - basicamente, na utopia de Anderson, todos são geeks designers com uma impressora 3D mas ninguém faz as coisas chatas. Vai haver muitos mais trabalhos nesse novo tipo de manufatura, ainda que os ""empreendedores"" estejam a convencer as pessoas a trabalhar de graça para eles. E quando os geeks querem comer pizza ou limpar a casa? ""Ah, logo vai haver robôs pra isso também"", Poole comenta, numa ironia que fez até um papercut nos meus dedos.
Socialmente falando, é o velho sonho da classe média: tirar todo obstáculo para uma vida de glória e riqueza individualista. Logo na metade do livro já se percebe que Anderson não quer mudar o mundo: ele conta com a mudança para gerar mais oportunidades de grande riqueza para uma minoria, e conta com a manutenção de um sistema social que ele sabe que não vai trocar trabalhadores pobres e toda sorte de exploração (até, sim, a mais-valia) por robôs assim tão fácil. Um tipo de sociedade em que a produção está aberta a todos - eu disse TODOS, não os critérios de humanidade dependentes de condição social como os de Anderson - seria um tipo de sociedade bem diferente, não um capitalism on steroids.
Li este livro porque Ibrahim Cesar, amigo, colega, pessoa que muito respeito e admiro, não conseguia deixar de citá-lo por aí por voltas do início de Dezembro. Não concordei com algumas citações, o Ibrahim rebateu explicando a ideia central do livro, e eu me senti tentado a lê-lo. Li, fiz umas anotações, perdi as anotações por bobeira. A resenha não vai sair tão boa, mas enfim.
A ideia de aplicar o open-source à vida real é muito boa --- a ideia central, da qual Ibrahim gostou, eu suponho. Mas na verdade é a compartimentalização dessa ideia, ou seja, a ideia aplicada de forma isolada à atual realidade social, que me deixa desapontado com o conteúdo do livro. A filosofia open-source transforma muita coisa. O fato de que ela viria a ser (segundo o cenário futurológico ali envisionado) usada para basicamente complementar, intensificar, dar continuidade a um sistema social injusto é triste. Você se anima com um futuro melhor provocado por uma revolução na forma como produzidos e consumimos coisas, mas então percebe que o autor não tem essa mesma visão: a nova revolução industrial dele é, na verdade, uma revolução industrial como todas as outras: capitalista.
Se a proposta dele me parece falha porquanto incompleta e incompatível com uma visão de futuro justa (e apenas por isso), o background argumentativo do livro peca por uma série de coisas. Uma citação do livro, que o Ibrahim mesmo destacou, comentada: ""When we moved from hunter-gatherers to farmers, one person could feed many"" - Como se isso não fosse feito antes. Erro crasso de gente que nunca estudou antropologia e vomita senso comum com pinta de erudito. Chris Anderson me enojou nessa frase. Avante: ""We were able to break out of the cycle of most other animals, where everyone’s job is to feed themselves or their offspring"" - sociedades tradicionais nunca foram assim - ""and pursue division of labor, where we each do what we do best"" - o velho conto da carochinha do Adam Smith repetido à exaustão - ""This created spare time and energy, which could be invested in such things as building towns, inventing money, learning to read and write, and so on"" - como se a) nenhuma dessas coisas fosse possível antes, b) essas coisas fossem inerentemente e inexoravelmente positivas e c) como se todos tivessem sido agraciados com tal tempo livre bem-aproveitado para a incursão na alta-cultura. Santa ingenuidade.
Mesma coisa: ""The move from hand labor to machine labor freed up people to do something else. Fewer people in society were needed to create the bare essentials of food, clothing, and shelter, so more people could start working on the nonessentials that increasingly define our culture: ideas, invention, learning, politics, the arts, and creativity. Thus the modern age.” - Opa, tem uma inversão aí dos conceitos de ""minoria"" e ""maioria"". Esse livro não passou por uma revisão, não?
E o que dizer da forma como ele justifica os enclosures? ""Evitar a tragédia dos comuns"". Me. Fucking. Poupe. O cara não justifica nada, na verdade, papagueia o palavreado do estereótipo de economista neoliberal saído do forno. Também me lembro da passagem em que ele fala sobre a melhoria das condições de vida durante a primeira revolução industrial --- melhoria para os ricos tida como melhoria para o todo da população, que só chegou muito tempo depois. ""Mas chegou, não chegou?"", argumenta-se, mas a inacuidade histórica é simplesmente absurda para um livro desse ""tamanho"". Ou será que não se trata de inacuidade, mas da boa e velha ""trave no olho"", que faz ele enxergar da classe média pra cima o grosso da humanidade e aplicar tudo a essa parte da população?
Tinha muito mais coisas pra falar nas minhas anotações - inclusive um resuminho que tinha feito da minha opinião, tão bonitinho ele. Eu me lembro que era algo nas linhas do seguinte: a ideia é boa, mas sozinha não leva ao mundo maravilhoso que ele tanto insiste em anunciar como um messias. E eu não fui o único a notar isso.
Na busca de críticas menos puxa-saco em relação ao livro para ver se me lembrava de mais pontos negativos para os quais torci o nariz, me deparo com um excelente review no Guardian: http://www.guardian.co.uk/books/2012/dec/07/makers-chris-anderson-review . Nele, Steven Poole comenta que ""não há nuvens negras no céu futurista de Anderson"". ""At the same time as it [A visão futurista mostrada no livro] creates lots of new jobs, however, the Maker movement [...] will also be destroying lots of jobs: by replacing humans with robots in manufacturing, or by uploading product blueprints to be made in factories in other countries. Parts of the book, indeed, read like a 1990s manual on the virtues of outsourcing"". Poder-se-ia argumentar que pessoas ficando sem (esse tipo de) trabalho é uma coisa boa, mas na verdade o capitalismo não funciona assim. Isso não vai (não é uma citação, mas uma paráfrase solta) ""liberar as pessoas pra fazer coisas mais legais enquanto os robôs fazem as coisas chatas"". As pessoas vão morrer de fome porque ninguém vai dar dinheiro para elas fazerem ""coisas legais"" o dia inteiro --- Ah, mas elas têm que produzir coisas em impressoras 3D e vender e coisa e tal... Como se o mercado realmente tivesse espaço para que cada indivíduo do planeta se preocupasse em criar coisas novas para serem vendidas. Não há dinheiro, na forma como ele é distribuído, que possa ser utilizado dessa forma, com pessoas todos os dias gastando para comprar todo tipo de caraceco ou máquina. Sim, porque o mercado precisaria ser mantido aquecido --- de uma maneira absurda que simplesmente que não se sustentaria por mais de meia-hora. O fato de que menos de 40% (nos EUA, seja dito, porque no Brasil...) das startups se dão bem é minimamente indicativo disso.
Outra coisa importante: ""It's also striking that the early Maker companies that Anderson celebrates are all making nothing but shiny gewgaws for the rich: ""cool stickers for Macbooks"", toy helicopters, noise-cancelling wireless headsets, computerised wristwatches, or a $75,000 dune-buggy kit."" ""There is indeed very little patience, in this book's Silicon Valley ideology of ambient über-wealth, for the ordinary and humdrum."" - basicamente, na utopia de Anderson, todos são geeks designers com uma impressora 3D mas ninguém faz as coisas chatas. Vai haver muitos mais trabalhos nesse novo tipo de manufatura, ainda que os ""empreendedores"" estejam a convencer as pessoas a trabalhar de graça para eles. E quando os geeks querem comer pizza ou limpar a casa? ""Ah, logo vai haver robôs pra isso também"", Poole comenta, numa ironia que fez até um papercut nos meus dedos.
Socialmente falando, é o velho sonho da classe média: tirar todo obstáculo para uma vida de glória e riqueza individualista. Logo na metade do livro já se percebe que Anderson não quer mudar o mundo: ele conta com a mudança para gerar mais oportunidades de grande riqueza para uma minoria, e conta com a manutenção de um sistema social que ele sabe que não vai trocar trabalhadores pobres e toda sorte de exploração (até, sim, a mais-valia) por robôs assim tão fácil. Um tipo de sociedade em que a produção está aberta a todos - eu disse TODOS, não os critérios de humanidade dependentes de condição social como os de Anderson - seria um tipo de sociedade bem diferente, não um capitalism on steroids.

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Quase tão bom quanto A Sombra do Vento, com duas diferenças, uma "neutra", e outra "pra pior": em primeiro lugar, a Sombra do Vento é uma obra com uma aura de misticismo e terror absolutamente encantadora e envolvente, mas quando o véu é levantado e a trama é revelada o que sobra é uma história muito humana e absolutamente poderosa. Em O Jogo do Anjo, Zafón não desfez o nó do além com um puxão lógico, e o que me incomoda é que o sobrenatural foi mantido em uma obra que faz parte do _mesmo_ universo (da mesma trilogia) que A Sombra do Vento. Isso me incomoda um pouco, mas não muito. Em segundo lugar, terminei o livro sem conseguir entender ao certo quem era Diego Marlasca, o que diabos foi que ele realmente fez, e o que todos aqueles personagens secundários significaram para a trama, em termos de passado. Não entendi bulhufas mesmo, e não encontrei um resuminho sequer na internet que me pôde ajudar, então deixei por isso mesmo. As coisas que balançam a favor da obra, fazendo com que eu a favorite apesar do detalhe negativo, são: a amizade de Martin e Isabella; a suavidade absolutamente genial investida em Andreas Corelli (especialmente no final, que foi simplesmente incrível, sem o qual o personagem teria acabado de forma bastante amarga e tosca), e os momentos de doce e estupendo realismo de emoções, palavras e olhares que a obra proporciona aqui e ali: o "hoje não" de Cristina, os debates e confissões de Vidal, o "os senhores vão à merda" de Martin, e por aí vai --- sem falar das cinematográficas cenas de ação que são de tirar o fôlego sem tirar o brilho característico do estilo narrativo de Zafón.
Quase tão bom quanto A Sombra do Vento, com duas diferenças, uma "neutra", e outra "pra pior": em primeiro lugar, a Sombra do Vento é uma obra com uma aura de misticismo e terror absolutamente encantadora e envolvente, mas quando o véu é levantado e a trama é revelada o que sobra é uma história muito humana e absolutamente poderosa. Em O Jogo do Anjo, Zafón não desfez o nó do além com um puxão lógico, e o que me incomoda é que o sobrenatural foi mantido em uma obra que faz parte do _mesmo_ universo (da mesma trilogia) que A Sombra do Vento. Isso me incomoda um pouco, mas não muito. Em segundo lugar, terminei o livro sem conseguir entender ao certo quem era Diego Marlasca, o que diabos foi que ele realmente fez, e o que todos aqueles personagens secundários significaram para a trama, em termos de passado. Não entendi bulhufas mesmo, e não encontrei um resuminho sequer na internet que me pôde ajudar, então deixei por isso mesmo. As coisas que balançam a favor da obra, fazendo com que eu a favorite apesar do detalhe negativo, são: a amizade de Martin e Isabella; a suavidade absolutamente genial investida em Andreas Corelli (especialmente no final, que foi simplesmente incrível, sem o qual o personagem teria acabado de forma bastante amarga e tosca), e os momentos de doce e estupendo realismo de emoções, palavras e olhares que a obra proporciona aqui e ali: o "hoje não" de Cristina, os debates e confissões de Vidal, o "os senhores vão à merda" de Martin, e por aí vai --- sem falar das cinematográficas cenas de ação que são de tirar o fôlego sem tirar o brilho característico do estilo narrativo de Zafón.

A primeira coisa que se percebe é que definitivamente não é Adams no steering wheel. É engraçado como quem treina os bigodes para as minúcias do estilo consegue perceber de cara, por uma série de detalhes que vão das vírgulas às preposições, um corpo estranho naquilo que bem poderia ser o sexto livro da série – e bem poderia porque, quanto mais a trama avança, mais ela parece perspicaz o suficiente para ter sido inventada pelo late Douglas.
Mas quando digo isso falo, é claro, da “macrotrama”, dos assuntos maiores, dos eventos mais grossos que levam a história para lá e para cá. Quanto mais se cai na microscopia do ritmo normal de leitura, no entanto, percebe-se o quanto tudo é diferente, na maioria avassaladora das vezes para pior.
Um dos mais proeminentes problemas do livro é a vulgaridade da narração, com uma notória grossura no que tange à ironia; um sarcasmo viscoso que torna uma série fluida e abundante em leveza uma aventura levada nas marretadas. Falando em marretadas, o uso abusivo de magia e divindades faz parecer que o autor não entende realmente que a aceitação de Douglas em relação a temas não-científicos nunca levou os livros na direção em que este foi; a saber, a banalização do recurso e a ignorância voluntária quanto ao fato de que a série é uma comédia movida a um tipo de improbabilidade infinita de ficção científica, não de esoterismo. E, indo mais fundo, a crítica ácida feita a religiões oficiais não foi divertida. Não que pra mim isso seja algum problema, já que não sou praticante de nenhuma das tradicionais grandes religiões, mas o problema é que _deveria_ ser divertida. As coisas que o narrador, o Guia e os personagens dizem (todas besuntadas na geleia pegajosa que é a tal da ironia viscosa) parecem ter sido arranjadas por um Richard Dawkins, não por Douglas Adams. Os dois podiam ser amigos, mas pelo menos no que escreviam (e, no caso daquele, escrevem) eram quite different. E, por último, os personagens são trabalhados de uma maneira bem esquisita nas falas e um pouco também nas atitudes. Já li críticos na internet dizendo que os personagens são... Reconhecíveis. Ou seja, ele fez a continuidade bem. Eu, particularmente, já não achei que esse foi o caso.
Por fim resta saber o que de bom ficou. A história é boa – a sinopse geral. O fim, aliás, é particularmente bom. Ele consegue sim arrancar risadas – menos que duas mãos cheias, mas consegue. O começo e o fim são bons e prazerosos de ler; o “arrastar-se” fica no meio.
A primeira coisa que se percebe é que definitivamente não é Adams no steering wheel. É engraçado como quem treina os bigodes para as minúcias do estilo consegue perceber de cara, por uma série de detalhes que vão das vírgulas às preposições, um corpo estranho naquilo que bem poderia ser o sexto livro da série – e bem poderia porque, quanto mais a trama avança, mais ela parece perspicaz o suficiente para ter sido inventada pelo late Douglas.
Mas quando digo isso falo, é claro, da “macrotrama”, dos assuntos maiores, dos eventos mais grossos que levam a história para lá e para cá. Quanto mais se cai na microscopia do ritmo normal de leitura, no entanto, percebe-se o quanto tudo é diferente, na maioria avassaladora das vezes para pior.
Um dos mais proeminentes problemas do livro é a vulgaridade da narração, com uma notória grossura no que tange à ironia; um sarcasmo viscoso que torna uma série fluida e abundante em leveza uma aventura levada nas marretadas. Falando em marretadas, o uso abusivo de magia e divindades faz parecer que o autor não entende realmente que a aceitação de Douglas em relação a temas não-científicos nunca levou os livros na direção em que este foi; a saber, a banalização do recurso e a ignorância voluntária quanto ao fato de que a série é uma comédia movida a um tipo de improbabilidade infinita de ficção científica, não de esoterismo. E, indo mais fundo, a crítica ácida feita a religiões oficiais não foi divertida. Não que pra mim isso seja algum problema, já que não sou praticante de nenhuma das tradicionais grandes religiões, mas o problema é que _deveria_ ser divertida. As coisas que o narrador, o Guia e os personagens dizem (todas besuntadas na geleia pegajosa que é a tal da ironia viscosa) parecem ter sido arranjadas por um Richard Dawkins, não por Douglas Adams. Os dois podiam ser amigos, mas pelo menos no que escreviam (e, no caso daquele, escrevem) eram quite different. E, por último, os personagens são trabalhados de uma maneira bem esquisita nas falas e um pouco também nas atitudes. Já li críticos na internet dizendo que os personagens são... Reconhecíveis. Ou seja, ele fez a continuidade bem. Eu, particularmente, já não achei que esse foi o caso.
Por fim resta saber o que de bom ficou. A história é boa – a sinopse geral. O fim, aliás, é particularmente bom. Ele consegue sim arrancar risadas – menos que duas mãos cheias, mas consegue. O começo e o fim são bons e prazerosos de ler; o “arrastar-se” fica no meio.

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